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Literatura, leitura e história


(Conferência realizada no congresso Saberes / PUC – PR, 2007)


“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Assim começa o Evangelho Segundo São João. Para nos dizer que o dom da palavra é uma graça divina. Ao dar fala ao homem, Deus o distinguia no reino animal. Afinal, Ele o criara à Sua imageme semelhança. “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito Pai, cheio de graça e de verdade”.

Recorro a este memorável texto bíblico por dois motivos. Primeiro: pela sua beleza literária. Segundo: considerada o livro dos livros – o mais lido de todos os tempos, no mundo ocidental -, a Bíblia é um caso exemplar da relação entre Literatura, leitura e história. A começar pela da criação do mundo, no Primeiro livro de Moisés chamado Gênesis, o mito dos mitos, que verdade científica alguma conseguiria suplantar no imaginário humano. Revisitemos o seu início, ainda que tão-somente pelo prazer de reler o mais admirável de todos os textos:

No princípio criou Deus os céus e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sob a face do abismo; e o espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz. E houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã o dia primeiro.
Etc.

Tão conhecida quanto essa história, é a da própria Bíblia: nascida no deserto com Moisés, no século 13 antes de Cristo, ela reúne uma coletânea de livros escritos por diferentes autores ao longo de vários séculos. Os que se relacionam à aliança de Deus com o povo judeu estão no Antigo Testamento. Já o Novo Testamento apresenta os relatos concernentes à aliança de Jesus Cristo com todos os povos. O conjunto dessa obra sagrada tem exercido, infinitamente, uma poderosa influência na literatura. Nem é preciso um grande esforço de memória para lembrar alguns títulos de romances e de volumes de contos de inspiração bíblica. Por exemplo: Esaú e Jacó, de Machado de Assis; Absalom, Absalom e Desça, Moisés, de William Faulkner;  O hóspede de Job, do português José Cardoso Pires; e o recentíssimo Caim, da nossa Márcia Denser, publicado pela editora Record, e que acabo de ler, com um prazer inenarrável.

Esse poder de sedução da Bíblia, para os escritores, se explica. Além de suas revelações, que fundamentam as crenças cristãs, nela encontra-se todos os gêneros literários: o mítico, o trágico, o épico, o lírico, o dramático. E tudo com fabulação, estilo, uso estético da linguagem, no que se inclui a qualidade poética, sem a qual não se chega à literariedade.

Portanto, se no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, o Verbo se fez literatura, já como uma criação do homem. E ele, o bicho-homem, fabulista, fabulador, fabuloso por natureza, da palavra falada chegou à escrita. E ela, a literatura, se desenvolveu com o próprio desenvolvimento da espécie, da caverna à universidade, do papiro ao papel e etc. E ganharia existência concreta, ou seja, corpo, forma, difusão e perenidade, a partir do advento da imprensa, no século 15 depois de Cristo.

Povos primitivos já desenvolviam uma rica produção de lendas, mitos e histórias, por vezes associada à música, à dança e à dramatização, em espetáculos religiosos e profanos. E assim se formou a tradição da literatura oral, que gerou grandes poemas épicos, os textos sacros e as representações dramáticas das civilizações antigas da Europa e da Ásia. Há 3 mil anos a.C, os povos da Suméria, na Mesopotâmia – onde hoje fica o Iraque -, já narravam a Epopéia de Gilgamesh, talvez a primeira história do dilúvio universal, que, com autor e personagens trocados, viriam a aparecer em O primeiro livro de Moisés chamado Gênesis.  

Na Idade Média, baladas, poemas, contos, gestas, adágios e adivinhações da cultura popular passaram à forma escrita, através de mãos eruditas. O avanço seguinte viria com a palavra impressa. E aqui cabe um tributo ao alemão Johannes Gensfleisch Gutenberg, o inventor dos caracteres móveis que dariam origem à tipografia, e daí às artes gráficas, à imprensa, sem as quais a indústria editorial não viria a existir. 

Resultaram desse processo obras como o Mahabharata e o Ramayana, da Índia, a Odisséia e a Ilíada, de Homero, o Edda escandinavo, e a própria Bíblia.

Os colonizadores portugueses viriam a transplantar para o Brasil, com modificações, os elementos das culturas clássica e medieval, que neste lado do Atlântico tiveram a influência das tradições africanas e indígenas. Da Europa, assimilamos o lobisomem e a mula-sem-cabeça, enquanto que personagens como o curupira e o boitatá são indígenas. Já o saci-pererê é uma fusão de figuras da África com as dos nativos.   

No princípio, a poesia tinha um caráter social. Associada aos cantos religiosos e ao entretenimento, servia para animar efemérides, públicas e privadas, incluindo-se nisso as saudações a personalidades, e as loas aos grandes feitos militares, nas guerras de conquistas.  Era usada também para a cura de doenças. Esse uso da poesia chegou até ao sertão (baiano) em que nasci. Ali, sempre que havia alguém doente, ou um bicho - um passarinho, por exemplo -, chamava-se logo uma rezadeira, ou benzedeira, que, pela urgência do chamado, chegava toda esbaforida. Com três galhos de arruda numa das mãos, ela a movimentava na cara do enfermo, fazendo o sinal da cruz, enquanto recitava:

Com dois te botaram
com três eu te tiro 
com perna de grilo
que vem do retiro...
É de metetéia
é de manenanha.
que esse menino
fique bom,
De hoje para amanhã!

Pouco importava se a própria benzedeira não soubesse os significados de “metetéia” e “manenanha”, que sequer chegaram a ser dicionarizadas pelos mestres Aurélio Buarque de Holanda e Antônio Houaiss. O importante era o poder do seu poema – e de sua fé nele, claro, assim como a do doente -, para tirar mau-olhado, o motivo de todas as doenças do mundo, ela acreditava. E o comprovava mostrando os galhos de arruda que murchavam completamente, durante a sua função, por haver captado todo o mal incrustado no corpo adoentado.

Também se recorria às tradições daquele mundo para espantar o medo da noite. Ao pé do fogão, e à luz do seu fogo, enquanto as panelas fumegavam, cantavam-se as histórias que passavam, oralmente, de geração a geração. Refiro-me às da literatura de cordel, assim definida por um de seus autores mais populares, o Rodolfo Coelho Cavalcante:

Cordel quer dizer barbante
Ou senão mesmo cordão,
Mas cordel-literatura
É a real expressão
Como fonte de cultura
Ou melhor poesia pura
Dos poetas do sertão

A expressão cordel vem da forma como os folhetos dessa literatura eram pendurados nas feiras, para serem vendidos. Pelos sertões adentro, o povo os chamava de ABC. Ou rimance -  por se tratar de narrativas rimadas.

De origem ibérica, rica em fabulação, a literatura de cordel é até hoje muito popular no Nordeste brasileiro e até mesmo em certos núcleos urbanos do Sudeste, em função dos fluxos migratórios. E produziu clássicos como A história do pavão misterioso, A chegada de Lampião no inferno e Proezas de João Grilo. Este, se tornaria a matriz do grande sucesso de Ariano Suassuna, O auto da Compadecida:

João Grilo foi um cristão
Que nasceu antes do dia
Criou-se sem formosura
Mas tinha sabedoria
E morreu depois das horas
Pelas artes que fazia

O já citado Rodolfo Coelho Cavalcante explica à perfeição o fazer poético cordelista e o seu alcance:

De tudo que acontecia
No país ia escrevendo...
Padre Cícero, Lampião,
Ia o povo todo lendo.
Criou hábito no povo
De ler um folheto novo
Para a notícia ir sabendo.

Ele nos ensina mais:

O chamado trovador
Ou poeta popular
Era semi-analfabeto
Porém sabia rimar,
Seus folhetos escrevia
E os sertanejos os liam
Por ser o seu linguajar.

Não foram poucos os poetas eruditos que buscaram inspiração nessa fonte. Um exemplo disso é o poema Cantadores do Nordeste, de Manuel Bandeira, que está no seu livro Estrela da tarde. E João Cabral de Melo Neto não poucas vezes se utilizou da estrutura, métrica e ritmo do cordel. Basta lembrar o seu famoso auto de Natal Morte e vida Severina:

O meu nome é Severino
Não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
Que é santo de romaria,
Deram então de me chamar
Severino de Maria;
Como há muitos Severinos
Com mães chamadas Maria
Fiquei sendo o da Maria
Do finado Zacarias.

E por aí vai.

E se temos aqui os nossos heróis populares – João Grilo, Lampião, Antônio Conselheiro, Cancão de Fogo, Lucas da Feira – o bandoleiro negro de Feira de Santana, que tinha a fama de roubar dos ricos para dar aos pobres, espécie de versão baiana do Robin Hood -, e etc, pois a galeria desses personagens é imensa, o México tem La Cucaracha, cantada em todo o mundo,e a Argentina o Martim Fierro, que se tornou símbolo da valentia platina, cuja lenda levou Jorge Luis Borges a escrever um conto magistral, chamado O fim, que já li mais de cem vezes, e a ele sempre retorno, com um renovado encanto.

Esse tipo de produção literária já conta com uma vasta bibliografia crítica. No ano 2000, a editora Hedra, de São Paulo, publicou uma simpática coleção dedicada a ela. Para tanto, pediu a 50 estudiosos do Brasil e do exterior para selecionarem 50 poetas populares de destaque e prepararem um estudo introdutório de cada um, assim como uma antologia dos poemas mais representativos. E destes, destaco, para fechar biblicamente este capítulo, um de Rodolfo Coelho Cavalcante, o poeta escolhido por Eno Theodoro Wanke:

Não adianta o orgulho,
O egoísmo, a vaidade,
O dinheiro, a opulência,
O abuso de autoridade.
Morre o bom, morre o ruim,
Tudo na Terra tem fim
É a lei da divindade!

Morre a árvore mais frondosa,
Morre o rio, morre o outeiro,
Morre a mulher que é bonita,
Morre o homem do dinheiro,
Morre quem faz tirania,
Só não morre a poesia
Dada por Deus verdadeiro!

Agora, passemos ao conto. Expressão de mitos humanos universais, suas origens remontam aos causos da cultura oral, envolvendo fatos verídicos ou lendários, reproduzidos com fantasia. Os elementos básicos de seu conteúdo são a imaginação, a fabulação, a lenda e o anedótico. Pela brevidade da narração, ele requer densidade, contenção de linguagem e sagacidade. Credita-se ao Egito a produção dos contos mais antigos do mundo, que foram reunidos numa antologia por Maspéro, no ano de 1889. Autores árabes produziram as histórias de As mil e uma noites, que atravessaram os tempos. Na Idade Média, e adentrando a Renascença, surgiu a linha da sátira e do realismo, de que são exemplos o Decameron, de Boccaccio, os Contos de Canterbury, de Chaucer, seguidos pelos de La Fontaine. Os contos fantásticos apareceram na época do Romantismo francês, com Nodier, e alemão (irmãos Grimm e Hoffman). Em meados do século 19, voltou ao realismo, com Daudet, Guy de Maupassant, Dickens, Mark Twain. Entre os mais memoráveis contistas do mundo ocidental estão Edgar Allan Poe, Alexandre Puchkin, Anton Tchecov, o nosso Machado de Assis. A partir do primeiro pós-guerra, o conto se tornaria uma forte expressão norte-americana, graças às produções de Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, William Faulkner, William Sorayan, Carson McCullers, Truman Capote e etc, etc. Na América hispânica os espantos ficam com Jorge Luis Borges, Júlio Cortazar, Juan Rulfo, Gabriel García Márquez. No Brasil, surgem tantos e tão poderosos contistas que quase que dá para encher uma lista telefônica inteira com os nomes deles. Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, José J. Veiga, Murilo Rubião, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Samuel Rawet, João Antônio, Nélida Piñon, Ignácio de Loyola Brandão, Wander Piroli, Ivan Ângelo, Roberto Drummond, Moacyr Scliar, Domingos Pellegrini Júnior, Sérgio Sant’Anna, Caio Fernando Abreu, João Gilberto Noll. E há aí os novos e novíssimos que dariam outra lista imensa. Sintetizo-a com apenas um nome: Miguel Sanches Neto, o autor do admirável Hóspede secreto.

A crônica.

Há quem assegure, como o gaúcho Luis Peazê, um estudioso e praticante do gênero, que a crônica existe desde o começo do mundo. Se tal afirmação é improvável ou não, importa menos do que sabermos que sua origem é antiqüíssima.

Vem de Cronos, deus da mitologia grega cujo nome significa “o Tempo”.

Daí significar: relato no qual os fatos são narrados em ordem cronológica.

E tornou-se o mais jornalístico dos gêneros literários e o mais literário dos gêneros jornalísticos. Isto em tempos modernos.

Antes, porém, existiram as crônicas pré-bíblicas e alexandrinas. Na Idade Média, era escrita em latim e dizia respeito à historiografia. Teve uma grande importância na era dos Descobrimentos, como registro e informação das novas terras e de sua gente nelas encontradas, o que pode ser comprovado nas cartas de Cristóvão Colombo, Pedro Álvares Cabral e Américo Vespúcio. E nos relatos do alemão Hans Staden, e dos franceses André Thevet e Jean de Lery, os primeiros escritores viajantes a descreverem a geografia física e humana do que hoje corresponde ao estado do Rio de Janeiro, tanto quanto as aventuras e desventuras dos europeus naquelas paragens, no século 16, ou seja, ao tempo dos canibais tupinambás. Tais descrições fizeram a Europa delirar. Como se estivesse lendo os contos mais fantásticos do mundo, desde O livro das maravilhas, de Marco Polo. 

Segundo o já citado Luis Peazê, a crônica passou a ser publicada em jornal a partir do século 18. E foi em Londres, onde dois colegas de faculdade, chamados Steele e Addison, fundaram, no dia 12 de abril de 1709, um periódico chamado The Tatler, que o Peazê traduziu como O Tagarela. O jornal circulava três vezes por semana, às terças, quintas e sábados, e tinha o seguinte perfil editorial: artigos sobre comportamento e entretenimento subordinavam-se à rubrica “Bomboneria do White”. Poesia: “Cafeteria do Will”. Educação: “Gregos”. Notícias domésticas e do estrangeiro: “Cafeteria St. James”. E por aí ia. 

A mais antiga crônica escrita em língua portuguesa data de 1429. Trata-se de um resumo histórico dos reis de Portugal até D. Dinis. E é exatamente nessa língua que iria se expressar um dos maiores cronistas de toda a história literária. Seu nome: Joaquim Maria Machado de Assis. Basta ler dele O nascimento da crônica. Ou ouvir isso em CD, na voz do ator Othon Bastos.

Implantada definitivamente na imprensa carioca a partir do ano de 1850, e já voltada para a descrição maliciosa da vida mundana e os fatos políticos do Rio de Janeiro, a crônica foi praticada no Brasil por verdadeiros mestres, como José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, França Júnior, Artur Azevedo, Coelho Neto, Júlia Lopes de Almeida, Olavo Bilac e João do Rio. Mas foi Machado de Assis quem lhe deu um perene status literário, pelas suas notas amenas, bem humoradas, com os toques de ironia que lhe eram tão peculiares.

Na segunda metade do século 20, o gênero cresce a aparece com uma força extraordinária, a ponto de parecer uma invenção brasileira. É o tempo de Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Antônio Maria, Carlinhos Oliveira e Carlos Heitor Cony, que se tornaram não só cronistas muito populares, mas também respeitadíssimos nos círculos literários. E tiveram seguidores que não deixaram a peteca cair (muito pelo contrário), a exemplo de Luis Fernando Veríssimo, João Ubaldo Ribeiro, Moacyr Scliar, Ignácio de Loyola Brandão, Zuenir Ventura, Marina Colasanti, Affonso Romano de Sant’Anna, Fausto Wolff, dentre outros, e, por fim, mas não por último, Alcione Araújo, o dramaturgo e romancista que já imprimiu a sua marca de cronista no livro Urgente é a vida.

Próximo capítulo:
Romance.

Eu, romancista, confesso: eis aí uma palavra que desce bem em meus ouvidos. Romance! Porque, antes de mais nada, se entende isto como uma história de amor. Na verdade, na acepção que aqui nos interessa, significa gênero literário em prosa, relativamente longo, caracterizado pela narração de acontecimentos fictícios, mas geralmente verossímeis. É tido como sucedâneo do poema épico. Longa também é a sua história, do romance de cavalaria ao psicológico, passando-se pelo de capa e espada, o folhetim ou de aventuras, o didático, o epistolar, o policial.

 E se o Dom Quixote, de Cervantes, que teve a sua primeira parte publicada há 400 anos, foi o primeiro verdadeiro romance da literatura universal, digamos que o gênero surgiu para desestabilizar as certezas humanas, no entrechoque da fantasia com a realidade, fazendo-nos duvidar das verdades absolutas. Ele, o romance, desenvolveu-se com a revolução industrial e chegou à sua era de ouro no século 19. Casos exemplares dessa era: Dostoiévski, Tolstói, Flaubert, Eça de Queiroz, Machado de Assis. Foi então que outro destes gigantes, o senhor Honoré de Balzac, conceituou o romance à perfeição: “É preciso desfolhar toda a vida social para ser um verdadeiro romancista. Porque o romance é a história secreta das nações” – assim falava quem sabia o que estava fazendo. 

No século 20 - o de Franz Kafka, Marcel Proust, Thomas Mann, Robert Musil, Ítalo Calvino -, caberia ao irlandês James Joyce quebrar a sua estrutura linear, ao enveredar por labirínticas experimentações, com mergulhos nos fluxos e refluxos de consciência, estes também explorados à exaustão por William Faulkner, o fundador de um território mítico que abarcaria as águas do Mississipi, no qual confluiu o rio São Francisco do nosso João Guimarães Rosa. Eles são parentes. E bem próximos.

 E a história do romance continua sendo escrita, a cada dia, pelos romancistas de todo o mundo. Bem recentemente, aqui em Curitiba, ao participar do Paiol literário, com José Castello – li isso no jornal Rascunho -, o poeta Affonso Romano de Sant’Anna disse o seguinte:

“As coisas mais tocantes, as mais corretas, não estão sendo ditas necessariamente por antropólogos, sociólogos e filósofos. Não são eles que estão escrevendo as melhores coisas sobre o Afeganistão, o Iraque, Israel, a Palestina, a questão africana. São os romancistas desses lugares, que de repente começaram a surgir e ser ouvidos. O que prova que os escritores preservam uma certa credibilidade”.      

Bem, mesmo que tudo o que o homem precisava dizer sobre si mesmo, a vida e o mundo já tenha sido escrito, a literatura ainda é um espaço no qual ele sempre se sentirá livre para criar.   

Asas ao Verbo.